quarta-feira, fevereiro 09, 2005

Ilusões

Pois é. Os gajos normais voltaram a encontrar-se. E dizia-me ele, o meu amigo, que precisava de alguém para a loja dele. Entre possibilidades, sai-se com esta:
Uma gaja boa faz uma loja.
Pensando bem nisso, é verdade. O flirt vende. Um olhar. Um sorriso. A grande verdade é que nós matamos por um doce de uma gaja boa, seja lá isso o que for- o doce e a gaja boa - ainda que o doce seja efémero. Ou falso. Toma lá dá cá. É uma ilusão recorrente.
Por momentos acreditamos ser possível. Acreditamos mesmo que o jogo mercantil esconde sedução e desejo. Somos uns tristes às vezes, essa é que é a verdade. Somos tristes, mas ainda assim boas pessoas. Não somos cabrões, não somos maus, fazemos só figuras de estúpidos. E não se esqueçam que os cabrões ganham sempre. Adivinhem o nosso destino. Seguindo.
Dizia eu depois na brincadeira já naquele tom de fim de conversa tchau vou embora mas deixa-me mandar mais uma boca.

Ok, eu se vir uma por aí pergunto-lhe se não quer trabalhar na tua loja.


Pensámos o mesmo, mas falei eu. A realidade assomou à conversa.

Nós não falamos com gajas dessas na rua. Sim, nós olhamos para gajas dessas na rua, mas nós desviamo-nos de gajas dessas da rua para não parecermos demasiado rídiculos quando elas passam por nós, essas gajas na rua...

F-a-l-a-r com elas?

A conversa termina. Baixamos a cabeça. Voltamos as costas. Resignados à nossa normalidade, seguimos rumo ao ciclo de ilusões que nos consome, a toda a hora, em todo o lado.


Links