quarta-feira, janeiro 19, 2005

Redenção

Um destes dias estava a falar com um amigo meu, conversa de tipos que vivem sozinhos (nota: já que insistem em dizer que eu vivo sozinho, só porque ando sempre de um lado para o outro e geralmente estou mais tempo no outro lado do que na casa mãe...ou será que já vivo mesmo no outro? Bem, não interessa, que tenha o proveito que a fama me concede de tipo que vive sozinho) falávamos de coisas básicas (segunda nota: conversas básicas de tipos tem pouco haver com aquilo com aquilo que as mulheres pensam que são as nossas conversas. Elas pensam que nós, como básicos que somos -e é verdade- e as nossas conversas básicas têm como tema as mulheres, bem, pensem comigo, se eu, nós, os tipos básicos, temos conversas básicas sim, o que farão as mulheres, esse tema altamente complexo nelas? É um engano básico, se bem que...fecho de nota), coisas simples, coisas normais para um tipo que vive sozinho, arrumações de casa, bla bla e mais bla. Ele, uns bons anos mais velho que eu, dizia que lhe faziam falta alguma coisas para estar completamente à vontade sozinho em casa. Aparentemente, faltavam-lhe coisas de cozinha, caixas para arrumar...essas coisas. Arrumar, desarumar, pensei eu. Ora cá está, não sou o único no momento e entusiasmado pela conversa perguntei se não era uma grande chatice quando a louça acabava e não tínhamos talheres, nem pratos, nem nada. A louça, acabar? Sim. A louça também se acaba, amontoada aleatoriamente na cozinha mais concretamente falando. Aí ele surpreendeu-se.

O quê tu fazes isso?
Não, eu não faço isso.

Esse é que o problema. Não fazer. Aparentemente chocado, notei alguma compreensão nas suas palavras.

Pois, tu também já fizeste isso?
Sim, eu também não fazia isso.

Concluí, portanto, que é tudo uma questão de evolução. Ou seja, daqui uns anos eu vou ser assim. Como fui, aliás. Organizado, arrumado. Até demais, diziam-me. Mas se é assim tão inevitável que eu seja assim daqui uns tempos, resolvi fazer as malas à preguiça e atalhar na evolução. Pois que se lixe. Vou ser como vocês agora, como diria Mark Renton, no Transpotting. Agora, já. Comecei pelo sempre dísponivel aspirador. Segui pela roupa. Faltarão os pápeis. Montes. Tenho que organizar isso tudo. E revistas. E jornais. Depois, a cozinha. O ajuste de contas com o desleixe. Vou explodir a cozinha de arrumação. Estou até a pensar fazer etiquetas. Vão-se surpreender. As panelas, os tachos e os talheres.Vou ser como vocês, agora. Esta semana foi de redenção.
Links